Nona
Oração do enfermo I
Dómine, ne in furóre tuo árguas me neque in ira tua corrípias me,
Senhor, não me repreendais na vossa ira, não me castigueis no vosso furor,
quóniam sagíttæ tuæ infíxæ sunt mihi, et descéndit super me manus tua.
porque as vossas flechas se cravaram em mim e a vossa mão pesou sobre mim.
Non est sánitas in carne mea a fácie iræ tuæ; non est pax óssibus meis a fácie peccáti mei.
Não há parte sã na minha carne por causa da vossa ira, não há repouso nos meus ossos por causa do meu pecado.
Quóniam iniquitátes meæ supergréssæ sunt caput meum; sicut onus grave gravátæ sunt super me.
Pois as minhas culpas ultrapassam a minha cabeça; como um peso excessivo, são pesadas demais para mim.
Putruerúnt et corruptæ sunt cicatríces meæ a fácie insipiéntiæ meæ.
As minhas feridas são fétidas e estão infectadas por causa da minha loucura.
Miser factus sum et curvátus sum nimis; tota die contristátus ingrediébar.
Estou encurvado e abatido ao extremo; o dia inteiro ando entristecido.
Quóniam lumbi mei impléntur inflammatióne, et non est sánitas in carne mea.
Pois os meus rins estão cheios de inflamação e não há parte sã na minha carne.
Torpéfactus sum et contrítus sum nimis; rugiébam a gémitu cordis mei.
Estou entorpecido e arrasado ao extremo; rujo por causa do gemido do meu coração.